Quarta-feira, Abril 1, 2026
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Páscoa: Tradições que resistem ao tempo em Portugal

Do compasso pascal ao folar, há costumes que continuam a marcar esta celebração em várias regiões do país

Este domingo celebra-se a Páscoa, data que assinala a ressurreição de Jesus Cristo. Sendo uma das principais festividades do calendário católico, está associada a diversas tradições com raízes antigas que, em várias regiões do país, continuam a ser preservadas até aos dias de hoje.

Apesar de, sobretudo nas grandes cidades e entre as gerações mais jovens, algumas destas práticas tenderem a perder força, existem ainda locais onde permanecem profundamente enraizadas na identidade e nos costumes das populações, marcando, ano após ano, esta celebração em Portugal.

Conheça ou recorde algumas dessas tradições.

Compasso Pascal

O Compasso Pascal consiste na visita às habitações por ocasião da Páscoa, com a cruz — ou crucifixo — transportado por elementos da comunidade ou representantes religiosos. Esta prática realiza-se de porta em porta e constitui um dos momentos mais simbólicos da celebração.

Durante a visita, a casa e os seus habitantes são abençoados, sendo habitual que os presentes beijem o crucifixo. Para assinalar a ocasião, as famílias preparam o espaço e organizam a mesa, criando um ambiente de convívio e partilha.

Em algumas localidades, o elevado número de habitações leva a que o compasso se prolongue para além do domingo, estendendo-se, por vezes, até ao dia seguinte.

Jejum na Quaresma

Após o período festivo do Carnaval, a Quaresma era tradicionalmente marcada pelo jejum e pela abstinência, sobretudo no consumo de carne.

Ainda hoje, em várias zonas do país, se mantém o hábito de evitar carne e enchidos às sextas-feiras durante este período.

No passado, existia a possibilidade de obter uma autorização especial, conhecida como “bula”, que permitia o consumo de carne em determinados dias.

Para além da alimentação, também algumas atividades recreativas eram restringidas, refletindo o caráter mais contido e reflexivo desta época.

Com o passar do tempo, muitas destas práticas foram sendo adaptadas, acompanhando as mudanças sociais.

Folar

O folar era, originalmente, o bolo tradicional da Páscoa, mas o termo passou também a designar a oferta feita pelos padrinhos aos afilhados.

De acordo com a tradição, os afilhados visitam os padrinhos no domingo de Páscoa para receber essa oferta, num costume frequentemente conhecido como “ir pedir o bolo”.

Em contrapartida, no Domingo de Ramos, é habitual a oferta de um ramo de oliveira, simbolizando respeito e ligação familiar.

Esta tradição continua presente em várias regiões do país.

Procissões

As procissões são igualmente uma expressão marcante desta época, sobretudo em várias localidades onde a tradição religiosa mantém forte expressão.

Durante estes momentos, a população participa em cortejos que percorrem as ruas, assinalando episódios centrais da tradição cristã, como a morte de Cristo, na Sexta-Feira Santa, e a sua ressurreição no domingo de Páscoa.

Curiosidade histórica

A chamada “bula” (ou licença para consumir carne durante a Quaresma) já não se pratica em Portugal nos dias de hoje.

Historicamente, tratava-se de uma autorização concedida pela Igreja Católica — muitas vezes mediante pagamento — que permitia contornar a obrigação de abstinência de carne em determinados dias. Foi uma prática relativamente comum sobretudo até ao século XIX e início do século XX.

Atualmente, isso deixou de existir. A Igreja já não concede esse tipo de licença. As regras da Quaresma continuam a prever jejum e abstinência (como na Sexta-Feira Santa), mas o seu cumprimento é voluntário e baseado na consciência individual dos fiéis, não havendo qualquer tipo de “dispensa paga”.