Quarta-feira, Julho 8, 2026
Início DESTAQUE Saúde cardiovascular: pequenas mudanças podem ter um grande impacto

Saúde cardiovascular: pequenas mudanças podem ter um grande impacto

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em todo o mundo, contribuindo para eventos como o acidente vascular cerebral (AVC) e o enfarte agudo do miocárdio, bem como para quadros de insuficiência cardíaca.

 

Os fatores que contribuem para o desenvolvimento destas doenças são frequentemente modificáveis. É o caso do tabagismo, do consumo de álcool, do excesso de peso — muitas vezes resultante de uma alimentação inadequada e de níveis reduzidos de atividade física — e, ainda, da privação do sono.
Um artigo publicado recentemente no Jornal Europeu de Medicina Preventiva estudou o impacto combinado de pequenas alterações ao nível dos hábitos de sono, da atividade física e da alimentação no risco de eventos cardiovasculares. Os resultados demonstraram que pequenas melhorias simultâneas nestes três parâmetros estão associadas a uma redução significativa do risco, e têm maior impacto do que uma grande mudança num só deles, evidenciando um efeito potenciado entre os três.
Embora os benefícios de um estilo de vida saudável estejam bem comprovados, mudanças estruturais são muitas vezes difíceis, devido a horários exigentes, altos níveis de stress e constrangimentos económicos e sociais. Mas é bom saber que o foco em pequenas alterações — como dormir mais dez minutos por noite, dedicar mais cinco minutos à atividade física diária e aumentar ligeiramente o consumo de vegetais — pode ser suficiente para reduzir o risco cardiovascular.
Pequenas mudanças são eficazes e mais fáceis de integrar na rotina, de forma duradoura e consistente. Importa ainda salientar a importância da cessação tabágica e do consumo alcoólico para a diminuição do risco cardiovascular. Sem esquecer que perante sinais de alarme — como dor no peito, falta de ar, palpitações persistentes, tonturas ou desmaios — deve sempre procurar assistência médica.

• Isabel Gonçalves Cardoso,
cardiologista na Clínica CUF Miraflores