Terça-feira, Setembro 22, 2026
Início DESTAQUE Morreu Jorge Palma, uma das vozes maiores da música portuguesa

Morreu Jorge Palma, uma das vozes maiores da música portuguesa

DR

Cantor, compositor e pianista morreu aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. Com mais de cinco décadas de carreira, deixou uma obra que atravessou gerações e marcou profundamente a música portuguesa.

Jorge Palma morreu na noite desta segunda-feira, 21 de setembro, aos 76 anos. A morte do cantor, compositor e pianista foi confirmada pela família e pela agência do músico, que indicaram como causa uma paragem cardiorrespiratória.

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou a estudar música ainda criança. Aos seis anos iniciou as aulas de piano e, aos 10, ingressou no Conservatório de Música de Lisboa. Na adolescência, porém, descobriu no rock e na música popular uma nova forma de expressão, afastando-se progressivamente da formação clássica.

A sua carreira profissional começou a ganhar forma no início da década de 1970. Integrou o grupo Sindicato, que participou na primeira edição do Festival de Vilar de Mouros, em 1971, e passou também pelos Black Boys. Em 1972 editou o primeiro single a solo, iniciando um percurso que se prolongaria por mais de 50 anos.

Depois do 25 de Abril, regressou a Portugal e, em 1975, lançou o primeiro álbum, “Como uma viagem na palma da mão”. Seguiram-se vários trabalhos que ajudaram a construir uma identidade artística muito própria, marcada pelo piano, pela poesia, pelo rock e por uma escrita profundamente ligada às experiências humanas.

Entre as suas canções mais conhecidas estão “Deixa-me Rir”, “Frágil”, “Bairro do Amor”, “Estrela do Mar”, “A Gente Vai Continuar” e “Encosta-te a Mim”. Temas que atravessaram diferentes gerações e que contribuíram para tornar Jorge Palma numa presença singular na música portuguesa.

Ao longo da carreira, participou também em diversos projetos musicais. Nos anos 1990 formou os Palma’s Gang, ao lado de músicos como Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez, dos Rádio Macau. Integrou ainda o projeto Rio Grande e colaborou com diferentes artistas, mantendo uma permanente ligação à criação musical.

Um dos momentos marcantes da sua discografia surgiu em 1991, com “Só”, álbum em que revisitou, apenas ao piano, algumas das suas canções anteriores. Nas décadas seguintes continuou a editar novos trabalhos, entre os quais “Norte”, “Voo Nocturno” e “Com Todo o Respeito”. O seu último álbum de originais, “Vida”, foi editado em 2023.

Jorge Palma recebeu diversos reconhecimentos ao longo da carreira. Em 2002 venceu o Prémio José Afonso, em 2012 recebeu o primeiro Prémio Pedro Osório, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, e em 2020 foi distinguido com a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa. No mesmo ano foi condecorado como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Já este ano, em abril, recebeu o Prémio Carreira dos 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa, distinção que reconheceu o seu percurso artístico.

A ligação à música manteve-se também através da família. Em 2025 apresentou o espetáculo “3 Palmas na Mão”, em palco com os filhos, Vicente Palma e Francisco Palma, num encontro que juntou diferentes gerações da família e da música.

A morte de Jorge Palma encerra uma carreira de mais de meio século, mas deixa um vasto património musical. As suas canções, marcadas por uma escrita pessoal e por uma interpretação inconfundível, permanecem ligadas à memória de várias gerações de portugueses.

A família e a agência do músico pediram que Jorge Palma seja lembrado através das suas canções e palavras, numa obra que, ao longo de décadas, se tornou parte da história da música portuguesa.