Preço médio anunciado atingiu os 3.666 euros por metro quadrado no terceiro trimestre de 2026. Lisboa continua a ser o distrito mais caro e a prestação de um T2 absorve 49% do rendimento líquido de um casal com salário médio.
Os preços anunciados das casas em Portugal aumentaram 3,4% no terceiro trimestre de 2026, fixando-se numa média nacional de 3.666 euros por metro quadrado. Os dados são do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças e mostram uma recuperação face à descida registada no trimestre anterior.
A subida foi generalizada, com exceção dos distritos de Lisboa, onde os preços recuaram 1,4%, e de Bragança, com uma descida de 0,8%. Viseu liderou as valorizações, com um aumento de 12,5%, seguido de Castelo Branco (+9,9%) e Viana do Castelo (+9%).
Apesar da descida trimestral, Lisboa continua a apresentar os preços anunciados mais elevados, com uma média de 5.582 euros por metro quadrado. Seguem-se Faro, com 4.928 euros, e a Região Autónoma da Madeira, com 4.478 euros.
Apartamentos demoram mais tempo a vender
A recuperação dos preços não significa que os imóveis sejam vendidos mais rapidamente. No terceiro trimestre, o tempo médio de venda dos apartamentos aumentou 25%, atingindo os 132 dias. A taxa de absorção, que mede a percentagem de imóveis anunciados que resultam em negócio fechado durante o período, recuou ligeiramente para 1,3%.
A oferta média disponível para venda também aumentou 6,9%, para 111.911 imóveis, entre apartamentos e moradias. O Observatório alerta, contudo, que este crescimento deve ser interpretado tendo em conta o alargamento das fontes de recolha de dados nos últimos dois trimestres.
Rendas praticamente estáveis
No arrendamento, o preço médio nacional registou uma ligeira descida de 0,1%, fixando-se nos 15,48 euros por metro quadrado. A estabilidade nacional esconde diferenças significativas entre regiões: Bragança apresentou uma subida de 19,7%, Vila Real aumentou 18,8% e Viseu avançou 9,9%. Em sentido contrário, Beja registou a maior descida, de 14,8%.
Lisboa mantém as rendas anunciadas mais elevadas, com uma média de 19,11 euros por metro quadrado, apesar de uma redução de 5,4% no trimestre.
Comprar casa continua a pesar no orçamento
A acessibilidade à habitação registou uma ligeira melhoria. Em setembro, o índice de acessibilidade para a compra de um apartamento T2 aumentou 1,8% face a julho, refletindo uma redução de 21 euros na prestação média estimada.
Ainda assim, a prestação de um T2 continua a representar 49% do rendimento líquido de um casal com salário médio. O esforço é ainda maior na Madeira, onde chega aos 70%, e em Faro, onde atinge os 65%.
Os dados revelam um mercado em que os preços anunciados voltaram a subir, mas os compradores continuam condicionados pela capacidade financeira. O aumento do tempo necessário para vender um apartamento reforça também a importância de definir preços ajustados à realidade local, uma vez que os valores pedidos pelos proprietários nem sempre correspondem aos preços finais dos negócios.






