O Clube Soroptimist Internacional Estoril-Cascais promoveu uma sessão em Porto Salvo para apresentar um modelo europeu de apoio integrado às vítimas de violência doméstica e de violência de género. Portugal ainda não dispõe de uma estrutura deste tipo.
A possibilidade de criar o primeiro Centro de Justiça Familiar em Portugal esteve em discussão numa sessão promovida pelo Clube Soroptimist Internacional Estoril-Cascais, em parceria com o Clube Soroptimist Internacional das Caldas da Rainha. A iniciativa decorreu a 23 de setembro, em Porto Salvo, e reuniu especialistas internacionais e representantes locais para analisar um modelo de apoio multidisciplinar às vítimas de violência doméstica e de violência baseada no género.
Os Centros de Justiça Familiar, conhecidos internacionalmente como Family Justice Centers, concentram e articulam diferentes serviços de apoio, envolvendo forças de segurança, justiça, saúde, apoio social e organizações da sociedade civil. O objetivo é garantir uma resposta coordenada, evitando que as vítimas tenham de procurar separadamente várias entidades e repetir sucessivamente os seus testemunhos.
Modelo europeu reúne vários serviços num só local
A sessão contou com a participação de Pascale Franck, vice-presidente da European Family Justice Center Alliance e consultora do Governo da Bélgica, e de Valerie Swennen, superintendente da polícia belga e especialista em cooperação multidisciplinar na área da violência doméstica.
As duas especialistas explicaram o funcionamento destas estruturas, que procuram proporcionar um acompanhamento mais rápido, seguro e humanizado, centrado nas necessidades de cada vítima.
Segundo a informação apresentada na sessão, existem cerca de 30 Centros de Justiça Familiar em vários países europeus. Portugal ainda não dispõe de uma estrutura deste género, pelo que a iniciativa pretende contribuir para a reflexão sobre a eventual adaptação do modelo à realidade nacional.
Município de Oeiras apresentou resposta local
A vereadora da Câmara Municipal de Oeiras, Conceição Henriques, participou no encontro e deu a conhecer o trabalho desenvolvido pela autarquia, nomeadamente através do Gabinete de Apoio à Vítima de Violência Doméstica.
Durante a sessão, foi salientada a importância da articulação entre os serviços públicos, as forças de segurança e as organizações da sociedade civil para melhorar a resposta às vítimas.
Michelle Hofland, presidente da União de Portugal do Soroptimist International, partilhou também a sua experiência e os contactos estabelecidos com estruturas semelhantes, incluindo o Centro de Justiça Familiar de Roterdão.
Clube assinala 30 anos de atividade
Para Isabel Mendes Pereira, presidente do Clube Soroptimist Internacional Estoril-Cascais, o primeiro passo passa por conhecer o modelo e identificar os parceiros que poderão contribuir para a sua concretização em Portugal.
A responsável defende que o diálogo entre entidades é essencial para preparar uma resposta verdadeiramente integrada às vítimas de violência.
A iniciativa enquadra-se no trabalho desenvolvido pelo clube na defesa dos direitos das mulheres e das raparigas e na prevenção de todas as formas de violência. Fundado em 1996, o Clube Soroptimist Internacional Estoril-Cascais assinala este ano 30 anos de atividade nas áreas da educação, saúde, igualdade, desenvolvimento social, direitos humanos e ambiente.
O Soroptimist International é um movimento mundial de mulheres voluntárias que promove os direitos humanos, a educação, o empoderamento e a criação de oportunidades para mulheres e raparigas.






