Segunda-feira, Junho 8, 2026
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Recordar a Maternidade da Santa Casa da Misericórdia de Oeiras

Durante grande parte do século XX, a Maternidade da Santa Casa da Misericórdia de Oeiras foi muito mais do que um simples serviço de saúde: era um verdadeiro ponto de referência para a vida e para a comunidade local. Situada no coração histórico da vila, a maternidade acompanhou o nascimento de várias gerações de oeirenses e de famílias das localidades vizinhas.

A tradição de apoio médico e social em Oeiras remonta ao século XVIII, com a criação, em 1790, de um hospital junto à igreja local, destinado a amparar pobres, peregrinos e doentes.
Ao longo do século XIX, a missão da Misericórdia foi-se consolidando, com serviços de saúde cada vez mais estruturados, incluindo o cuidado materno-infantil.

Com a fundação oficial da Santa Casa da Misericórdia de Oeiras, em 1927, a assistência a grávidas e recém-nascidos ganhou organização e estabilidade. A maternidade destacou-se especialmente entre as décadas de 1930 e 1970, acolhendo mães não apenas de Oeiras, mas também de regiões como Pêro Pinheiro, Mucifal e Colares.

O edifício, simples mas marcante, situava-se no rés-do-chão e era reconhecível pelos azulejos verdes, característicos das unidades de saúde da época. A presença das freiras conferia um ambiente de proximidade e cuidado, reforçando a missão social da instituição.

Entre os anos 1970 e 1995, a maternidade manteve-se ativa, oferecendo partos assistidos num contexto de crescente modernização do sistema de saúde. Para muitas famílias, representava uma alternativa próxima e familiar aos grandes hospitais de Lisboa, permitindo que o nascimento acontecesse num espaço acolhedor e humano.
O encerramento da maternidade, em outubro de 1995, resultou da centralização dos serviços hospitalares em unidades maiores e mais bem equipadas. O edifício continuou a ser utilizado para outras valências sociais, mantendo, no entanto, o seu valor simbólico para a comunidade.
Hoje, a memória da maternidade permanece viva na história de Oeiras, simbolizando dedicação, solidariedade e cuidado com a vida, valores que continuam a marcar a identidade da vila.