Sexta-feira, Maio 22, 2026
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Do Altar à Matéria: Entrevista com a artista sacra Shey El Shamy

Em Oeiras, uma história de fé inspira a comunidade local. Sheila Martins Messias El Shamy descobriu a sua vocação para a escultura sacra de forma inesperada, num momento de profunda crise pessoal. Hoje, as suas obras transmitem a espiritualidade que marca a sua trajetória.

Uma vida em transformação

Antes de iniciar este percurso artístico, Sheila estudava osteopatia na universidade. Contudo, a rotina intensa começou a afastá-la das suas raízes espirituais. “Eu não estava feliz, estava muito corrido. Eu não tinha tempo para a igreja, não tinha tempo para Jesus”, recorda.
Além disso, a sensação de que tudo corria mal tornou-se constante. Exausta e em lágrimas, Sheila procurou refúgio na Igreja Nossa Senhora do Amparo, situada no centro cívico de Carnaxide. Foi ali, durante a adoração ao Santíssimo Sacramento, que tudo mudou.

O chamado para a escultura sacra

Naquele momento de entrega, Sheila sentiu o pedido para esculpir. No entanto, havia um desafio evidente: ela nunca tinha feito esculturas sacras, estudado artes e infelizmente não possuía recursos financeiros para investir no trabalho. Apesar disso, conta que tudo se resolveu de forma surpreendente. “Do nada, caiu um dinheiro na minha conta, eu consegui comprar todo o material”, partilha.
Em seguida, surgiram as obras. A primeira escultura foi Nossa Senhora. Depois, criou Jesus da Misericórdia. Por fim, dedicou-se a São Miguel Arcanjo. Segundo a artista, cada traço nasceu no silêncio da oração.

Uma mensagem para a comunidade

Atualmente, Sheila frequenta a paróquia em Carnaxide e deixa um convite à reflexão. “Ame mais, perdoe mais e venha mais vezes adorar Jesus”, apela. Por outro lado, alerta para a fugacidade das preocupações mundanas e incentiva quem atravessa momentos difíceis a procurar a fé como caminho de transformação.

O Dom da Escultura Sacra a arte sacra não nasce apenas da técnica; ela brota da intimidade com o Sagrado. Estas esculturas não são fruto de escolas humanas, de cursos académicos ou de anos de estudo teórico. Elas nasceram no silêncio, na entrega e na adoração profunda ao Santíssimo Sacrário. Diante da presença real de Jesus Cristo, o coração silenciou e o Espírito Santo soprou um dom até então desconhecido. Sem nunca ter moldado antes, a matéria bruta transformou-se em expressão de fé. É a materialização visual daquilo que os olhos humanos não veem, mas que a alma experimenta na oração. Cada traço, cada dobra nas vestes e cada detalhe esculpido são a prova viva de que Deus não escolhe apenas os capacitados, mas capacita os escolhidos para a Sua obra. Não há mérito humano, há submissão à vontade divina. É o Espírito Santo a guiar as mãos, a dar forma à devoção e a transformar o barro em oração visível para aproximar mais corações do Altar.