No Dia Mundial da Diabetes, assinalado a 14 de novembro, o enfermeiro Lionel Monteiro alerta para a importância da consulta do pé diabético na prevenção de feridas, infeções e amputações. Apesar dos avanços tecnológicos, a vigilância regular e a educação para a saúde continuam a ser fundamentais.
As bombas de insulina, os sensores de glicose e os sistemas automáticos de controlo representam avanços importantes no tratamento da diabetes. No entanto, a tecnologia, por si só, não elimina o risco de complicações nem dispensa o acompanhamento regular por profissionais de saúde.
O alerta é deixado por Lionel Monteiro, enfermeiro das Farmácias Holon, que, a propósito do Dia Mundial da Diabetes, assinalado a 14 de novembro, chama a atenção para o papel da consulta do pé diabético na prevenção de problemas que podem ter consequências graves.
Na sua experiência clínica, continuam a surgir pessoas com diabetes que apresentam feridas, infeções e outras complicações que, em muitos casos, poderiam ser evitadas através de uma vigilância adequada e de cuidados preventivos.
A diabetes é uma doença que exige controlo contínuo. Ao nível dos pés, pequenas lesões podem evoluir rapidamente para situações complexas, sobretudo quando não são detetadas ou tratadas atempadamente.
Consulta do pé diabético é essencial na prevenção
O acompanhamento regular permite identificar precocemente alterações da pele e da sensibilidade, ensinar os cuidados diários a ter com os pés e corrigir comportamentos de risco.
A consulta é também uma oportunidade para reconhecer sinais de alerta e intervir antes de uma pequena lesão se transformar numa ferida de difícil tratamento.
Segundo Lionel Monteiro, o desafio nem sempre está na falta de tecnologia, mas também nas dificuldades que algumas pessoas enfrentam para gerir a doença no dia a dia. Mesmo quem utiliza dispositivos avançados pode ter lacunas de literacia em saúde ou dificuldades em manter os cuidados básicos.
Cuidados diários que podem evitar complicações
O controlo glicémico é importante para reduzir o risco de complicações associadas à diabetes, mas deve ser acompanhado por medidas de prevenção específicas.
Entre os cuidados a valorizar estão a observação regular dos pés, a utilização de calçado adequado, a identificação de alterações na pele e a procura atempada de ajuda perante sinais de alerta.
Para o enfermeiro, ensinar uma pessoa a reconhecer os riscos e a agir rapidamente pode contribuir para evitar internamentos, cirurgias e amputações. É um trabalho que exige tempo, escuta, educação para a saúde e acompanhamento continuado.
Mais tecnologia, mas também mais acompanhamento
Portugal tem vindo a investir no acesso a novas tecnologias para o tratamento da diabetes. Lionel Monteiro considera que esse caminho deve prosseguir, mas defende que seja acompanhado pelo reforço das equipas de saúde, pela valorização das consultas especializadas e pela disponibilidade de tempo para a educação terapêutica.
O objetivo é garantir que a inovação tecnológica é complementada por um acompanhamento clínico próximo e adequado às necessidades de cada pessoa.
No Dia Mundial da Diabetes, a mensagem do enfermeiro é clara: a tecnologia é uma aliada importante, mas a prevenção continua a depender também da vigilância regular, dos cuidados diários e da relação entre os profissionais de saúde e as pessoas com diabetes.






