Quinta-feira, Maio 14, 2026
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Estratégia da Telpark para os Parques do Futuro

No contexto da transformação da mobilidade urbana, impulsionada pela eletrificação e pela digitalização dos transportes, falámos com a diretora da Telpark, Ana Barbosa Leal, sobre o papel dos parques de estacionamento no futuro das cidades e sobre a estratégia da empresa para acompanhar esta mudança rumo a uma mobilidade mais sustentável.

 

I- A mobilidade urbana está a passar por uma transformação profunda com a

eletrificação e a digitalização do transporte. Como vê o papel dos parques de

estacionamento na mobilidade do futuro e de que forma a Telpark está a

adaptar a sua estratégia a esta mudança?

A mobilidade urbana está a evoluir rapidamente, impulsionada pela eletrificação

dos transportes e pela digitalização dos serviços de mobilidade. Neste contexto, os

parques de estacionamento deixam de ser apenas locais para estacionar veículos

e começam a assumir um papel mais amplo na organização da mobilidade nas

cidades.

Na Telpark, vemos os parques como pontos estratégicos dentro do ecossistema

urbano, onde podem convergir diferentes serviços, como carregamento elétrico,

soluções de mobilidade digital, apoio a frotas ou serviços de logística urbana. A

nossa estratégia passa precisamente por transformar estas infraestruturas em

hubs de mobilidade urbana, capazes de responder às novas necessidades das

cidades e dos utilizadores.

Não falamos apenas de instalar pontos de carregamento ou digitalizar serviços.

Falamos de redesenhar o papel do estacionamento como uma infraestrutura

estratégica para a transição energética urbana, capaz de apoiar a eletrificação, a

intermodalidade e os novos modelos de mobilidade.

A empresa procura acompanhar cidadãos e cidades nesta transformação do

conceito de mobilidade, apoiando-se na sua própria tecnologia e numa das

maiores plataformas digitais do setor, com mais de 6,2 milhões de utilizadores. A

digitalização não se limita a facilitar o pagamento ou a reserva. Permite-nos gerir

melhor a rotatividade, otimizar a utilização da energia, antecipar padrões de

procura e transformar dados em conhecimento para melhorar continuamente a

experiência do utilizador e a eficiência da infraestrutura.

 

II- A instalação de pontos de carregamento em parques urbanos implica

desafios técnicos, energéticos e de investimento. Que obstáculos ainda

existem para uma expansão mais rápida desta infraestrutura em Portugal?

A expansão da rede de carregamento elétrico implica naturalmente desafios

técnicos e de investimento, sobretudo ao nível da capacidade da rede elétrica e

dos processos de instalação das infraestruturas.

Outro aspeto importante é o enquadramento regulatório, essencial para garantir

regras claras e estabilidade para os operadores que investem neste setor. Ainda

assim, Portugal tem registado uma evolução muito positiva na mobilidade elétrica e

acreditamos que a infraestrutura continuará a crescer para acompanhar o aumento

do número de veículos elétricos nas cidades.

No caso da Telpark, temos vindo a reforçar a nossa rede de carregamento em

parques urbanos. Entre os projetos em desenvolvimento estão novas

infraestruturas no Hospital Garcia de Orta, com 13 pontos de carregamento, e no

Mercado de Alvalade, com 15 pontos, além de novos desenvolvimentos em

Setúbal, Portimão e Castelo Branco, refletindo o compromisso da empresa com a

expansão da mobilidade elétrica em Portugal.

Em Lisboa, prevê-se que os pontos de carregamento aumentem cerca de 50%, até

um total de 338, dos quais 43 são de carregamento rápido. No país, de forma

geral, espera-se que a rede cresça cerca de 60%, atingindo 477 pontos de

carregamento.

A médio prazo, continuaremos a investir e a adaptar a nossa rede a um utilizador

de veículos elétricos que terá cada vez mais automóveis e tecnologias de

carregamento mais avançadas.

 

III- Iniciativas como o Eco Rally Portugal mostram, em contexto real, o potencial

da condução eficiente e da mobilidade elétrica. Que impacto pode ter este

tipo de evento na sensibilização pública e na adoção de veículos elétricos?

Eventos como o Eco Rally Portugal desempenham um papel muito importante na

sensibilização para a mobilidade elétrica, porque permitem mostrar, de forma

prática e acessível, o potencial dos veículos elétricos e da condução eficiente.

Para o público, estes eventos ajudam a aproximar a mobilidade elétrica do dia a

dia, demonstrando que já é uma solução viável para a vida quotidiana. Ao mesmo

tempo, contribuem para reforçar o debate sobre mobilidade sustentável e

incentivar a adoção de soluções de transporte mais eficientes e menos poluentes

nas cidades.

Para empresas como a Telpark, que estão a investir na expansão da infraestrutura

de carregamento e na transformação dos parques em hubs de mobilidade,

iniciativas deste tipo também ajudam a reforçar a importância de continuar a

desenvolver soluções que facilitem a adoção de veículos elétricos nas cidades.

No caso de Oeiras, este tipo de iniciativas reforçam ainda o posicionamento do

município como um território comprometido com a inovação e a sustentabilidade,

alinhado com a evolução da mobilidade elétrica na Área Metropolitana de Lisboa.