No contexto da transformação da mobilidade urbana, impulsionada pela eletrificação e pela digitalização dos transportes, falámos com a diretora da Telpark, Ana Barbosa Leal, sobre o papel dos parques de estacionamento no futuro das cidades e sobre a estratégia da empresa para acompanhar esta mudança rumo a uma mobilidade mais sustentável.
I- A mobilidade urbana está a passar por uma transformação profunda com a
eletrificação e a digitalização do transporte. Como vê o papel dos parques de
estacionamento na mobilidade do futuro e de que forma a Telpark está a
adaptar a sua estratégia a esta mudança?
A mobilidade urbana está a evoluir rapidamente, impulsionada pela eletrificação
dos transportes e pela digitalização dos serviços de mobilidade. Neste contexto, os
parques de estacionamento deixam de ser apenas locais para estacionar veículos
e começam a assumir um papel mais amplo na organização da mobilidade nas
cidades.
Na Telpark, vemos os parques como pontos estratégicos dentro do ecossistema
urbano, onde podem convergir diferentes serviços, como carregamento elétrico,
soluções de mobilidade digital, apoio a frotas ou serviços de logística urbana. A
nossa estratégia passa precisamente por transformar estas infraestruturas em
hubs de mobilidade urbana, capazes de responder às novas necessidades das
cidades e dos utilizadores.
Não falamos apenas de instalar pontos de carregamento ou digitalizar serviços.
Falamos de redesenhar o papel do estacionamento como uma infraestrutura
estratégica para a transição energética urbana, capaz de apoiar a eletrificação, a
intermodalidade e os novos modelos de mobilidade.
A empresa procura acompanhar cidadãos e cidades nesta transformação do
conceito de mobilidade, apoiando-se na sua própria tecnologia e numa das
maiores plataformas digitais do setor, com mais de 6,2 milhões de utilizadores. A
digitalização não se limita a facilitar o pagamento ou a reserva. Permite-nos gerir
melhor a rotatividade, otimizar a utilização da energia, antecipar padrões de
procura e transformar dados em conhecimento para melhorar continuamente a
experiência do utilizador e a eficiência da infraestrutura.
II- A instalação de pontos de carregamento em parques urbanos implica
desafios técnicos, energéticos e de investimento. Que obstáculos ainda
existem para uma expansão mais rápida desta infraestrutura em Portugal?
A expansão da rede de carregamento elétrico implica naturalmente desafios
técnicos e de investimento, sobretudo ao nível da capacidade da rede elétrica e
dos processos de instalação das infraestruturas.
Outro aspeto importante é o enquadramento regulatório, essencial para garantir
regras claras e estabilidade para os operadores que investem neste setor. Ainda
assim, Portugal tem registado uma evolução muito positiva na mobilidade elétrica e
acreditamos que a infraestrutura continuará a crescer para acompanhar o aumento
do número de veículos elétricos nas cidades.
No caso da Telpark, temos vindo a reforçar a nossa rede de carregamento em
parques urbanos. Entre os projetos em desenvolvimento estão novas
infraestruturas no Hospital Garcia de Orta, com 13 pontos de carregamento, e no
Mercado de Alvalade, com 15 pontos, além de novos desenvolvimentos em
Setúbal, Portimão e Castelo Branco, refletindo o compromisso da empresa com a
expansão da mobilidade elétrica em Portugal.
Em Lisboa, prevê-se que os pontos de carregamento aumentem cerca de 50%, até
um total de 338, dos quais 43 são de carregamento rápido. No país, de forma
geral, espera-se que a rede cresça cerca de 60%, atingindo 477 pontos de
carregamento.
A médio prazo, continuaremos a investir e a adaptar a nossa rede a um utilizador
de veículos elétricos que terá cada vez mais automóveis e tecnologias de
carregamento mais avançadas.
III- Iniciativas como o Eco Rally Portugal mostram, em contexto real, o potencial
da condução eficiente e da mobilidade elétrica. Que impacto pode ter este
tipo de evento na sensibilização pública e na adoção de veículos elétricos?
Eventos como o Eco Rally Portugal desempenham um papel muito importante na
sensibilização para a mobilidade elétrica, porque permitem mostrar, de forma
prática e acessível, o potencial dos veículos elétricos e da condução eficiente.
Para o público, estes eventos ajudam a aproximar a mobilidade elétrica do dia a
dia, demonstrando que já é uma solução viável para a vida quotidiana. Ao mesmo
tempo, contribuem para reforçar o debate sobre mobilidade sustentável e
incentivar a adoção de soluções de transporte mais eficientes e menos poluentes
nas cidades.
Para empresas como a Telpark, que estão a investir na expansão da infraestrutura
de carregamento e na transformação dos parques em hubs de mobilidade,
iniciativas deste tipo também ajudam a reforçar a importância de continuar a
desenvolver soluções que facilitem a adoção de veículos elétricos nas cidades.
No caso de Oeiras, este tipo de iniciativas reforçam ainda o posicionamento do
município como um território comprometido com a inovação e a sustentabilidade,
alinhado com a evolução da mobilidade elétrica na Área Metropolitana de Lisboa.






