ADERMAP alerta, no Dia Mundial da Dermatite Atópica, para uma doença que vai muito além das lesões na pele e pode afetar profundamente a vida pessoal, escolar e profissional.
Mais de 230 milhões de pessoas vivem com Dermatite Atópica em todo o mundo, uma doença inflamatória crónica que continua a ser muitas vezes encarada apenas como um problema de pele.
No Dia Mundial da Dermatite Atópica, assinalado esta segunda-feira, 14 de setembro, a ADERMAP – Associação Dermatite Atópica Portugal chama a atenção para os efeitos menos visíveis da doença, que podem atingir o sono, a saúde mental, a vida social, a escola, o trabalho e a situação económica das famílias.
A Dermatite Atópica pode surgir na infância ou na idade adulta e acompanhar a pessoa durante muitos anos. Além da secura, inflamação e comichão, a doença pode provocar dor, perturbações do sono, ansiedade, depressão, isolamento social e situações de estigmatização.
Uma doença que não termina quando as lesões desaparecem
Os dados reunidos na campanha internacional do Dia Mundial da Dermatite Atópica mostram a dimensão deste impacto. Mais de metade das pessoas com doença moderada a grave sofre perturbações do sono. A nível mundial, uma em cada seis pessoas com Dermatite Atópica experiencia depressão clínica e uma em cada oito reporta pensamentos suicidas.
Na Europa, 39% dos adultos afirmam evitar interações sociais devido à doença e mais de metade considera que a Dermatite Atópica limita o seu estilo de vida.
Entre as pessoas que desenvolveram a doença durante a infância, 67,1% relatam sentimentos de estigmatização, incluindo situações de provocação ou bullying durante a infância ou adolescência.
Nas crianças e jovens, as consequências podem traduzir-se em noites mal dormidas, vergonha, isolamento, faltas à escola e dificuldades de participação nas atividades escolares e sociais.
“Quando olhamos para a Dermatite Atópica apenas através daquilo que é visível na pele, estamos a ignorar uma parte muito significativa da realidade de quem vive com esta doença”, afirma Joana Camilo, presidente da ADERMAP.
Impacto também chega às famílias
A doença tem igualmente consequências económicas. Na Europa, as pessoas com Dermatite Atópica grave suportam, em média, 927,12 euros adicionais por ano em despesas de saúde, segundo os dados citados pela associação.
Para Pedro Mendes Bastos, dermatologista e Conselheiro Científico da ADERMAP, a avaliação da doença não deve limitar-se à extensão ou aparência das lesões.
“A intensidade da comichão, a perturbação do sono, as comorbilidades e os impactos psicológico e social devem também fazer parte da avaliação de cada pessoa”, defende o especialista.
Acesso aos cuidados continua a ser um problema
Apesar dos avanços registados nos últimos anos no tratamento da Dermatite Atópica, a ADERMAP considera que persistem necessidades por responder e desigualdades no acesso aos cuidados.
Um estudo publicado em 2023 na Revista da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia identificou lacunas na referenciação, assimetrias geográficas e tempos de espera elevados para primeiras consultas de Dermatologia no Serviço Nacional de Saúde.
A situação assume particular importância nos casos moderados e graves, em que o acesso a algumas terapêuticas inovadoras depende do setor público.
Segundo a associação, o local onde a pessoa vive pode, desta forma, influenciar o acesso aos cuidados de que necessita, prolongando períodos de doença insuficientemente controlada.
ADERMAP pede resposta mais abrangente
A associação defende que a Dermatite Atópica deve ser encarada como uma doença crónica com impacto físico, psicológico e social, e não apenas como uma condição dermatológica.
Entre as prioridades apontadas estão o reconhecimento da doença nas estratégias nacionais de saúde, o reforço da formação dos profissionais, o investimento em investigação e recolha de dados e a redução dos custos suportados diretamente pelas pessoas e famílias.
O apelo surge depois de, em maio de 2025, os Estados-Membros reunidos na 78.ª Assembleia Mundial da Saúde terem reconhecido as doenças da pele como uma prioridade global de saúde pública.
A ADERMAP associa-se à campanha internacional #BreakTheInvisibleBurden, defendendo que reconhecer o impacto invisível da Dermatite Atópica é um primeiro passo para melhorar o diagnóstico, acompanhamento e tratamento de quem vive com a doença.







