Segunda-feira, Setembro 14, 2026
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SNS faz 47 anos com mais de 1,3 milhões de utentes sem médico de família

Sindicato Nacional dos Médicos assinala o aniversário do Serviço Nacional de Saúde com críticas à falta de profissionais, às listas de espera e às metas definidas pelo Ministério da Saúde até 2028.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) assinala 47 anos de existência, num momento marcado por dificuldades na resposta aos utentes e pela falta de profissionais. O Sindicato Nacional dos Médicos (SMN) considera que o aniversário deve também servir para avaliar os problemas que continuam por resolver.

Entre as principais preocupações está a falta de médicos nas equipas, a dependência das urgências de horas extraordinárias e de prestadores de serviços e os tempos de espera por consultas e cirurgias.

A estas dificuldades junta-se o número de portugueses sem médico de família. Segundo os dados citados pelo sindicato, mais de 1,3 milhões de cidadãos, cerca de um em cada oito, continuam sem médico de família.

Metas para 2028 levantam preocupações

O SMN critica também o planeamento do Ministério da Saúde para os próximos anos, considerando que o Quadro Global de Referência do SNS 2026–2028 não apresenta as mudanças estruturais necessárias para responder aos problemas do sistema.

De acordo com os números analisados pelo sindicato, o reforço previsto do número de trabalhadores do SNS fica limitado a 1,4% em 2026, abaixo dos 1,9% previstos no ano anterior.

Também o investimento apresenta uma redução na execução prevista, que passa de 76,47% em 2025 para 58,77% em 2028.

Outra das metas apontadas pelo SMN diz respeito à percentagem de utentes com médico de família em 2028, que deverá ficar praticamente ao mesmo nível registado em 2024.

Para o sindicato, a manutenção destes indicadores ao longo dos próximos anos não pode ser encarada como uma situação normal.

Médicos defendem reforço do SNS

Apesar das dificuldades, o SMN considera que o SNS continua a ser uma das principais conquistas da democracia portuguesa, garantindo o acesso aos cuidados de saúde independentemente da capacidade financeira dos cidadãos.

O sindicato defende um maior investimento no sistema e melhores condições para fixar médicos e outros profissionais de saúde, sustentando que os problemas identificados pelos profissionais devem ser acompanhados de medidas concretas.