Planeamento das compras, reutilização de materiais e aquisição de equipamentos recondicionados podem ajudar a reduzir o impacto do regresso às aulas no orçamento familiar. Estudo revela ainda que 81% dos alunos já utilizam ferramentas de Inteligência Artificial nas tarefas escolares.
O regresso às aulas representa um esforço financeiro significativo para muitas famílias portuguesas. Entre material escolar, equipamentos tecnológicos e outras despesas associadas ao início do ano letivo, o custo médio estimado chega aos 579 euros por estudante, segundo o estudo “Regresso às Aulas”, do Observador Cetelem.
Perante este cenário, o planeamento antecipado das compras pode ser uma das principais formas de evitar despesas desnecessárias. Fazer um inventário do material que ficou do ano anterior e verificar o que pode ser reutilizado é uma das recomendações deixadas pelo estudo.
Reutilizar antes de comprar
Mochilas, estojos, calculadoras e outro material escolar que esteja em boas condições podem continuar a ser utilizados, reduzindo a necessidade de novas compras.
No caso dos equipamentos tecnológicos, como computadores e tablets, a aquisição de produtos recondicionados ou em segunda mão surge também como alternativa para baixar os custos. A recomendação passa, contudo, por recorrer a fornecedores de confiança e optar por equipamentos com garantia.
Esta possibilidade já é ponderada por 59% das famílias abrangidas pelo estudo.
Inteligência Artificial exige maior acompanhamento
A tecnologia assume também um papel cada vez mais importante na vida escolar. De acordo com os dados recolhidos, 81% dos alunos utilizam ferramentas de Inteligência Artificial nas tarefas escolares.
O estudo defende que a IA deve ser encarada como uma ferramenta de apoio à aprendizagem e não como substituta do trabalho dos alunos. O acompanhamento dos encarregados de educação é, por isso, considerado fundamental.
Entre as recomendações está a utilização da Inteligência Artificial para esclarecer dúvidas ou complementar o estudo, evitando que seja usada para realizar integralmente trabalhos escolares ou contornar a leitura de livros.
Limitar os ecrãs durante o estudo
O regresso às aulas implica também uma maior necessidade de concentração. Nesse sentido, o estudo recomenda que as famílias estabeleçam limites para a utilização de smartphones e redes sociais durante os períodos dedicados ao estudo.
A questão dos telemóveis nas escolas parece reunir uma avaliação positiva entre os encarregados de educação: 74% consideram favoravelmente a proibição dos telemóveis nos estabelecimentos de ensino, medida que foi alargada após o primeiro ano de aplicação.
Saúde mental também preocupa as famílias
As dificuldades associadas ao regresso às aulas não são apenas financeiras. A ansiedade relacionada com os exames nacionais, sobretudo entre os alunos do ensino secundário, junta-se às preocupações com a segurança, o bullying e o ambiente escolar.
O estudo recomenda uma atenção especial à saúde emocional dos alunos, através de uma comunicação aberta entre pais e filhos. A escuta ativa e a criação de um ambiente sem julgamentos podem ajudar os jovens a partilhar receios e dificuldades.
Quando existam situações de bullying ou outros problemas no ambiente escolar, os encarregados de educação devem incentivar os alunos a procurar ajuda e a denunciar as situações.
Estudo ouviu 650 encarregados de educação
O estudo “Regresso às Aulas” foi realizado entre 27 de julho e 6 de agosto de 2026, através de 1.300 entrevistas online a residentes em Portugal, com idades entre os 18 e os 65 anos.
Entre os participantes, 650 eram encarregados de educação de crianças ou jovens a frequentar estabelecimentos de ensino, desde a creche ao ensino superior.
A amostra foi construída com quotas de sexo, idade e região, de acordo com os dados do INE, apresentando um erro máximo de 3,8 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.
O estudo é promovido pelo Observador Cetelem, centro de estudos sobre consumo e acompanhamento económico do BNP Paribas Personal Finance.






