
O ginásio dos Bombeiros Voluntários de Carnaxide recebeu um Seminário de Kalis Filipino, iniciativa que contou com a participação de um dos seus mestres, o instrutor Noé Navarro, nas modalidades de ilustríssimo Kali e de Rápido Realismo Kali, dois dos estilos dentro das FMA – Filipines Marcial Arts. Este seminário foi promovido pela Associação de Sistemas Tácticos e Marciais (ASTM), da qual faz parte a escola de artes marciais numa iniciativa para promover um dos estilos ali praticados. NOTÍCIAS DE OEIRAS falou com Nuno Santos, principal responsável do espaço, representante nacional do Shin Gi Tai Kempo e Co-representante nacional do Kokoro Self Defense (um sistema em que consiste numa mescla de artes como o Silat, Muay Thai, FMA’s e Yawara Jitsu). É treinador de nível 1, federado e reconhecido pela Federação Portuguesa Lohan Tao Kempo e pelo Instituto Português do Desporto e Juventude.
– O que são as FMA’s?
– As Filipinas são um arquipélago com 7107 ilhas. As tribos existentes guerreavam entre si, sem nenhum tipo de norma, sempre buscando a morte do inimigo. E, nesse ambiente inóspito, os filipinos não tinham qualquer tipo de senso de nação, permitindo aos espanhóis, conquistando aos poucos o seu território, porém, o senso de nacionalismo começou a crescer e as técnicas mortais de combate com lâminas utilizadas pelos combatentes revolucionários. Neste período histórico, os ocidentais viram pela primeira vez, a arte selvagem e perigosa de combate filipino. Esta arte foi-se desenvolvendo, até chegar a um alto refinamento técnico e prático, tendo como força motriz as revoluções internas que, aconteciam quase diariamente. Além disso, observando o treinamento dos espanhóis com armas, os filipinos aprenderam suas técnicas e somando-as aos movimentos nativos do Kali, criaram um conjunto de técnicas, táticas e estratégias, ainda mais eficazes e letais nos conflitos de vida ou morte.

– Existem diferenças?
– Sim, de facto, ainda existiam diferenças técnicas e táticas quase de «tribo para tribo» e por essa razão, existem diversos estilos de FMA’s. Esta filosofia de aprender com os demais povos, mastigar, aperfeiçoar e fazer a técnica. Esta filosofia de aprender com os demais povos, mastigar, aperfeiçoar e fazer a técnica única é uma das características que torna o Kali uma arte flexível, perigosa e versátil, ao apresentar técnicas para todos tipos de situações, e simplicidade, ao depurar técnicas ineficientes e oferecer apenas o que é essencial.
– Nesta escola, além do Kempo, também se pratica FMA’s?
– Sim, entre outras, até porque se complementam muito bem. O Kempo é reconhecidamente como uma arte marcial de grande eficácia numa situação real e da qual aja necessidade de autoproteção, no entanto, sofria de uma insuficiência, dado que, o Kempo tem um trabalho de mão nua/mão vazia como lhe queiram chamar. E, as situações na vida real, cada vez mais colocam armas brancas nas mãos dos agressores, perante esta situação, as escolas da ASTM, viram a necessidade de se complementarem com um trabalho de armas. Neste campo é reconhecido o elevado nível de eficácia as FMA’s.
– Como correu o evento?
– Otimamente, tendo superado as minhas expetativas, uma vez que, não estava à espera de tanta adesão. Convidei vários grupos de artes marciais e amigos, tendo inclusive alguns grupos me perguntado se podiam se juntar. Dos que marcaram presença, sendo que, alguns não puderam estar presentes, contámos com 54 participantes, pelo que, julgo que, foi um êxito.
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– Então existe possibilidade de um próximo evento deste género no concelho?
– Sim, sem dúvida, nas artes marciais tal como na nossa vida, estamos sempre aprender e, portanto, este tipo de evento é importante e faz todo o sentido, não só, pelo evento em si, como pela convivência e partilha entre os grupos presentes.
– Como está a correr o projeto aqui no ginásio dos Bombeiros de Carnaxide?
– Existem aqui, duas situações distintas, infelizmente não se está a ter a adesão da comunidade de Carnaxide como pensávamos ou gostaríamos, embora sabendo que nem todas as pessoas gostam de artes marciais e que não consigam compreender a importância de conhecimentos técnicos em autoproteção ou em defesa pessoal, por outro lado, o grupo tem aproveitado bem o facto de sermos poucos e assim, tendo evoluído de uma forma fantástica e a mim tem-me permitido variar entre os estilos que estudamos e as suas similaridades
– Quando são os treinos?
– Todas as quartas e sextas-feiras aqui nos Bombeiros Voluntários de Carnaxide…







